domingo, 9 de outubro de 2016

O Saci: Origem, Tipos, Comportamento, Como se Proteger, Relatos etc...

O Saci: Origem, Tipos, Comportamento, Como se Proteger, Relatos etc...


Conheça tudo sobre um dos personagens mais importantes do folclore brasileiro. Sua origem, seus tipos, o comportamento travesso, como se proteger e até usá-lo a seu favor, e leia relatos de encontros com essa criatura.

No final tem um vídeo meu sobre o assunto...

Eu já vi um saci assombrados, juro! Minha professora de botânica na Faculdade ficou 2 anos inteiro dizendo que tinha um saci. Um dia ela levou ele na sala de aula em um vidro coberto por uma toalha. Então ela à tirou e havia um saci mesmo lá dentro, só que de pelúcia! Todo mundo queria matá-la hauhauha. Neste post, vou fazer para vocês sobre esse importante personagem do folclore brasileiro...


O Saci é um dos personagens mais conhecidos do folclore brasileiro. Tanto que desde 2005 é comemorado no dia 31 de Outubro seu dia!

A lenda que envolve o Saci foi passada entre tribos e gerações, fazendo com que cada um adicionasse ou adaptasse sua versão da história. É quase senso comum é que ele gosta de fazer travessuras. Existem diversos tipos de sacis, sendo o mais conhecido o pererê.

Origem

Sabia que não existia Saci até o final do século XVIII? Nenhum dos velhos cronistas coloniais do Brasil falou dele. Ele só começa a aparecer lá por volta de 1790 e tem sua vida desenvolvida no século XIX.

O que se apurou, é que o Saci surgiu no sul do país, na área povoada antigamente pelos índios Tupis-Guaranis, de onde derivou seu nome.

O Saci simplesmente não existia até o final do século XVIII

Tipos

Como toda lenda, existem diversas variações para descrever o saci. Alguns dizem que é gordo, que solta fogo pelos olhos e por ai vai. São 3 os principais tipos de sacis:

O tipo mais comum de Saci: Pererê
Saci-Pererê: É o mais conhecido e encontrado no Brasil. É negro, tem uma perna só (dizem que perdeu a perna em uma roda de capoeira), barriga proeminente, um inseparável cachimbo na mão (herdou da cultura africana) e um gorrinho vermlho (veio da mitologia europeia, mais precisamente do Trasgo, um ser encantado do folclore do norte de Portugal). Alguns acreditam que consegue desaparecer de um local e aparecer em outro graças a ele. Quando quer se esconder vira um redemoinho de vento e some pela mata.

Saci Saçura: é um negrinho dos olhos vermelhos

Saci Trique: Quando você ouvir no mato um "trique", é sinal que ele está nas redondezas. É moreninho e não é maldoso, só gosta de fazer algumas brincadeiras, como amarrar o rabo dos animais.

Outros tipos de sacis:

Saci do Poá: Sai fogo pelos olhos

Saci Teterê: é um saci tentador de moças, parecido com o Poá, só que mais alto. Anda sempre petecando uma brasa de uma mão para outra. Anda nu, tem barbicha de cabrito, beiço vermelho e trás a língua de fora (como conquista as mulheres com essa descrição eu não sei hahauhaua)

Saci-Taterê: Tem cara de Pia, usa camisa, tem cor de formiga e não tem espora.

Saci Sacerê: comum em Minas Gerais. Usa calça de algodão e entra na água sem se molhar

O Saci Pererê é associado a redemoinhos de vento


Comportamento

Bolo queimado? Culpa do Saci!
Dependendo da região, as pessoas associam o Saci a um ser maligno, outros já dizem que é somente um ser travesso. Olha algumas das coisas que ele é capaz de fazer:

- Assusta com seus assovios – bastante agudos e impossíveis de serem localizados.
- Faz tranças nos cabelos dos animais, depois de deixá-los cansados com correrias
- Atrapalha o trabalho das cozinheiras, fazendo-as queimar as comidas, ou ainda, colocando sal nos recipientes de açúcar ou vice-versa;
- Faz os viajantes se perderem nas estradas

O saci incorporou comportamentos de outras lendas, como a Matinta Perera e o Curupira.

Pipoca que não estoura? Culpa do Saci...


Como se Proteger do Saci

Escutou algum assovio no floresta e percebeu que o saci está chegando dentro do redemoinho? Existe algumas formas de se defender dele:

- Lançar um terço benzido no redemoinho
- Chamar 3 vezes pela Virgem Maria (de quem tem grande medo)
- Fazer o sinal da cruz e exibir um bentinho (escapulário formado de dois pequenos quadrados de pano bento unidos por fitas e que as pessoas devotas trazem ao pescoço)
- Rezar o "Creio em Deus Pai todo Poderoso"

Quando ver um redemoinho de vento, use um dos métodos acima para se proteger

Como Prender um Saci, Fazer ele Realizar um Desejo ou Encontrar Objeto Desaparecido

Realizar Desejo: Que tal fazer o saci realizar um desejo seu? É possível. Quando você ver um redemoinho de vendo, denunciando a presença do saci-pererê, use um dos remédios acima e rapidamente pegue seu gorro vermelho. Pronto, ele vai realizar um desejo em troca do gorro.

Prendê-lo: Agora, se você quer prender o saci, é um pouco mais difícil, pois vai envolver um machado! Quando ele estiver atentando, dê uma machadada, olhando para o Sol, no chão, e deixe o machado cravado no chão. Agora se benza e  pronto, ele não vai atentar mais.

Recuperar Objeto Perdido: Perdeu algum objeto? O Saci encontra pra você. Pegue uma palha e dá-se 3 nós nela. Desta forma você amarrou o pipi do Saci hauhaha. Ele não vai aguentar de vontade de vontade de fazer xixi e vai fazer você encontrar o objeto. Sério assombrados, quem disse isso foi o Major Benedito de Souza Pinto.

Dar 3 nós na palha é a mesma coisa que amarrar o pipi do saci!

Monteiro Lobato: Responsável por Popularizá-lo

Monteiro Lobato
Como uma lenda surgida no final do século XVIII acabou por se tornar uma das mais conhecidas do país? Agradeça a Monteiro Lobato e sua série Sítio do Picapau Amarelo de Monteiro Lobato. O primeiro livro, publicado em 1921, se chama "O Saci". Nele, Pedrinho foi caçar no Capoeirão dos Tucanos, a mata virgem do Sítio do Picapau Amarelo, e encontrou um saci, que lhe contou os segredos da floresta e várias lendas do folclore brasileiro, como a Mula-sem-cabeça, o Boitatá, o Lobisomem, o Negrinho do Pastoreio e muitas outras coisas... Juntos, eles salvaram Narizinho do feitiço da Cuca, Pedrinho quase ficou cego com a Iara e a Cuca morreu de medo dos pingos d'água.

Desde os anos 50 a série tem sido adaptada diversas vezes para a televisão e isso contribuiu muito para espalhar para as pessoas o folclore do saci.

Sírio do Picapau Amarelo


31 de Outubro: Dia Oficial do Saci

Se perguntar para muitas pessoas o que é comemorado no dia 31 de Outubro, quase todas vão falar: Dia das Bruxas ou Halloween. Mas não assombrados, agora você pode dizer 31 de outubro é dia do SACI! Desde de 2005 foi decretado propositalmente que dia 31 de outubro seria comemorado o dia do Saci no Brasil, com o objetivo da escolha foi valorizar a cultura nacional sobre a estrangeira.

fonte: http://www.assombrado.com.br/2014/10/o-saci-origem-tipos-comportamento-como.html

sábado, 10 de setembro de 2016

9 DICAS ESPECIAIS PARA CONTAR HISTÓRIAS

DICAS ESPECIAIS PARA CONTAR HISTÓRIAS

Contar histórias para crianças é tão importante para a sua formação que diversas pesquisas apontam para resultados surpreendentes dessa prática. Nos Estados Unidos pediatras passaram a receitar a narração de histórias e poesias até para bebês no útero! Professores precisam trabalhar o mergulho na magia das histórias com suas crianças.

Mas é preciso ser profissional ou ter esse dom?



Contar histórias é uma das artes da palavra.

Muitos contadores usam a própria experiência e intuição para transmitir o que viveram.

Outros buscam aprendizados para desenvolver sua arte. Leem muito, estudam a língua e, às vezes aprofundam-se nas técnicas de representação. Os atores que encenam histórias, o fazem com um texto formatado, independente do tipo de plateia presente. Já o contador precisa levar em conta a presença e a personalidade de sua audiência.

Apesar da carência na formação de alguns professores, podemos seguir alguns conselhos preciosos dos especialistas desse oficio, exercitar e desenvolver um jeito prazeroso e nosso de proporcionar vivências tão fundamentais para o universo infantil.

Vamos lá?

1.  Escolha das histórias

Os livros e histórias sugeridos pelas crianças são um passo em direção a uma plateia interessada. Mas selecionar histórias que despertem a vontade de contar no contador é importante para o bom resultado final. Quando uma história se conecta com que vai conta-la ela passa a ser interiorizada e sentida como pertencente!

Para crianças menores, de 1 a 2 anos, ou para introduzir o grupo no mundo das histórias, é importante selecionar livros com histórias e ilustrações de boa qualidade. Histórias com textos que se repetem favorecem a compreensão.  As crianças gostam especialmente de  histórias de animais.

2.  Conhecer  para narrar

Às vezes temos que pegar um livro novo e contar de supetão para a turma, sem mesmo tê-lo lido ou folheado. Essa forma de contar histórias geralmente traz insegurança para quem conta e nem sempre prende a audiência. Mas acontece!

Se pudermos nos preparar para o momento, os resultados serão infinitamente melhores. Ler o livro ou história com antecedência, praticar a narração e pensar nos momentos chave ampliam a experiência. Vale também fazer uma possível “tradução” de partes complicadas para a faixa etária, programar cenas com a participação dos pequenos e organizar  materiais que podem enriquecer a narrativa.

Não é necessário decorar a história. Aliás, quando disponível, o livro deve estar presente para se fazer ver e reconhecer pelas crianças. Ao final da narrativa, deixe os pequenos manusearem o livro e incentive conversas e o reconto por parte deles.

Após um período de ambientação com a leitura e contação, à medida que os pequenos vão ampliando o vocabulário e ficando mais entusiasmados e concentrados, as histórias selecionadas podem ser mais longas e complexas.

3.  Espaço

A escolha e organização do espaço físico para o momento de ouvir histórias é relevante.


Algumas questões podem encaminhar a decisão:
  • O local favorece o conforto das crianças?
  • É possível falar e ser ouvido com clareza, sem a interferência de barulhos?
  • O ambiente inspira? (disponibiliza almofadas, sofás, colchonetes, bebê conforto, a sombra de uma árvore, um pano para colher o grupo ao sentar-se sobre ele…).
Posicionar os pequenos em semicírculo pode favorecer as relações e os momentos de participação e diálogo durante o desenvolvimento da história. Outra dica é ficar próximo aos pequenos e posicionar-se distante de espelhos e janelas para não dividir atenções.

Todos devem poder visualizar o livro, quando utilizado, e as figuras.  A capa, o título e o autor podem ser apresentados no início.

4.   Materiais

A roupa do contador pode sinalizar o momento específico de entrar no universo das histórias. Escolher um chapéu, uma varinha de condão, uma capa, pode criar um ritual para marcar a atividade.



Pequenos objetos sonoros utilizados pelo contador também podem contribuir com pausas e momentos encantados, dramáticos etc.

Distribuir objetos sonoros para as crianças utilizarem em algumas cenas (imitar o barulho de tempestades, brigas, músicas de festas etc.) compartilha a atuação e estimula a atenção e a participação.

Bonecos, fantoches e dedoches também são acessórios interessantes.

5.  Olhar

É muito importante olhar nos olhos de quem ouve as histórias, valorizando o grupo e cada um individualmente. É esse olhar que captura a audiência e capta os sinais de como a narração está sendo recebida.

Quando utilizar bonecos e fantoches, eles também precisam “olhar” para a audiência.

6.  Voz, Gestos e Expressões

A dica importante é ser bem claro ao pronunciar as palavras. Pensar também no ritmo da contação. Se for muito lento e com pausas prolongadas a audiência se dispersa. Se for muito rápido, especialmente para os menores, as crianças não conseguem acompanhar o enredo.

Por outro lado, algumas passagens especiais da história podem ser narradas mais lentamente, com certa dramatização, gestos e até pausas para dar mais impacto às cenas.


Elementos expressivos como imitação de vozes de personagens, ruídos de animais, barulhos, expressões faciais e gestos das mãos empregadas, na hora certa, fazem a diferença.

7.  Dialogar

Abrir o espaço e o tempo da contação com um diálogo sobre o autor, ou o tema ou até uma pequena introdução que se conecta o projeto da turma pode situar as crianças e capturar o interesse.

8.  Envolvimento do grupo

Nem todas as crianças de um grupo estão na mesma sintonia, disposição e estágio de desenvolvimento. Ao introduzir o momento de histórias e leitura, prepare-se para contar para muitas ou poucas crianças.

Apesar de convidar o grupo para a hora da história, é possível que nem todos os pequenos queiram tomar parte da atividade. Por isso,  cantos preparados com outros livros ou um jogo de montar são adequados. Ignore as peraltices e conte a historia para os interessados sem perder o fio da meada.

É possível que os “desinteressados” passem a participar observando o interesse do grupo.

Para envolver as crianças no relato você pode:
  • Pedir para que repitam algumas frases marcantes
  • Emitam sons que são parte do enredo: bater à porta, vento, barulhos de animais, cantar músicas, etc.)
  • Convidar a turma a fazer gestos e se mover conforme a cena. Por exemplo, um saci que pula num pé só, um leão feroz com garras, um patinho nadando na lagoa. Um sapo que pula.
  • Numa cena importante causar suspense parando a narrativa e perguntando: o que vocês acham que vai acontecer?

9.  Contar  e recontar

Repetir histórias e cenas queridas favorecem a apropriação, o reconto, a “leitura” e a memorização. Ao longo da semana é importante recontar as histórias preferidas e introduzir os livros novos.



Antes de recontar é possível estimular a oralidade e a organização temporal dos fatos: 

1. Qual a parte que mais gostaram? 

2. De quem vocês mais gostam? De quem não gostam?

3. O que aconteceu com fulano?

Depois de trabalhar com os personagens e os acontecimentos, conte a história novamente! Nessa etapa do desenvolvimento infantil as histórias podem ser recontadas, em média, três vezes por semana.

"Histórias são parte da humanidade. Milenares, são anteriores à escrita. Transmitem os saberes, preservando a cultura e a memórias. Todos nós experimentamos com prazer esses momentos e percebemos o quanto eles contribuem para o conhecimento de mundo, ampliam as possibilidades criativas e desenvolvem as emoções. Histórias são um capitulo fundamental da infância… em quem sabe, de toda a vida!"

Acesso ao artigo original: Blog Tempo de Creche

sábado, 3 de setembro de 2016

A Pequena árvore

Era uma vez uma árvore, no meio de uma floresta. Ela era uma árvore muito pequena, de galhos muito frágeis, mas sonhava ser grande e dar muitos frutos.
O tempo foi passando, seu caule engrossou e suas folhas se multiplicaram. Um belo dia, a árvore perguntou à sua mãe quando é que os frutos viriam.
- Oh! Meu amor! Não somos árvores frutíferas. Somos só assim, mesmo...
A árvore chorou, porque não tinha nada para oferecer. Via as pessoas apanharem frutas de suas companheiras, e até folhas medicinais, enquanto ela vivia ali, parada, inútil.
Ficou tão triste que teve vontade de morrer. Suas folhas, então, foram murchando. Seus galhos começaram a secar. Ela foi ficando cada vez mais curvada, seca,  e, no silêncio de sua dor, ouviu um pássaro piar:
- Pelo amor de Deus, Dona Árvore! Não faça isto. Minha esposa está chocando nossos filhotes, aqui neste seu galho. Se ele cair, que será de nós?
Espantada, a árvore começou a prestar atenção em si mesma. E passou a reparar quanta "gente" morava nela. Tinha uma família de micos-leões. E mais uma casinha de João-de-barro. E mais uns besouros.
Uma orquídea em botão, presa ao seu tronco, sussurrou:
- Espere um pouco mais, pra ver a surpresa que vou fazer-lhe!...
Então ela viu as abelhas que se tinham alojado num vão entre suas raízes, onde fabricavam mel saboroso. E viu uma família de pessoas almoçando à sua sombra.
E só então ela conseguiu ouvir a voz de Deus em seu coração, dizendo:
- Nem todas as árvores têm frutos para dar. Porém algumas, como você, podem ter muito mais a oferecer...
A árvore, com aquele pensamento, recuperou a vontade de viver, ficando saudável em poucos dias. Assim, ela pôde festejar quando os passarinhos nasceram, e a orquídea logo se abriu. Muitas gerações de crianças já construíram casas e balanços em seus galhos firmes e fortes. Esta é uma de suas grandes alegrias! E até hoje ela está lá, dando cada vez mais sombra, sustentando cada vez mais vidas, feliz por ter encontrado sua verdadeira razão de viver.

(RITA FOELKER)